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  • drareginarabelo

Uma fábula sobre o exame físico completo

Vou começar contando uma anedota que aconteceu comigo. Num dia comum de consultório, atendi um senhor já idoso, que veio desacompanhado, devido a uma queixa de queimadura por água quente no antebraço. Pois bem, colhi a história completa do incidente, bem como alergias medicamentosas, comorbidades, uso de tabaco ou álcool, enfim, anamnese completa. Quando do exame, solicitei ao paciente que se despisse, colocando as vestimentas no cabideiro que tenho na sala de exame.

Ele me olhou surpreso e alegou que a queixa era no braço, que facilmente era possível examinar com a vestimenta mesmo. Isso me ocorre com certa frequência e não fico aborrecida, pois sei que frequentemente é a primeira vez que o paciente escuta essa solicitação num consultório dermatológico. Sei que a maioria dos colegas, atarefados ou exaustos, não examinam por completo ( dos pés ao cabelo).

Expliquei que precisaria examinar tudo, pois sou médica e meu primeiro dever como dermatologista é a detecção precoce do câncer de pele. Ele então entendeu e fez o solicitado.

A queixa de queimadura já estava até bem cicatrizada. Mas o curioso é que detectei não um, mas dois (!) cânceres de pele no dorso do paciente, num local onde ele não era capaz de observar. Ao voltar a minha mesa e dar a notícia, o paciente ficou muito surpreso e extremamente grato por eu ter insistido na medicina correta, no exame completo e minucioso.

A medicina tem sua beleza e arte tão particulares... Ela não exige glamour ou parafernalha extravagante para ser feita com esmero. É fazer o que é correto, adequado e possível. É começar pelo o começo e seguir o protocolo, sem desvios, sem jeitinhos e sem atalhos.

Então, que fique a dica: sempre que for ao dermatologista, esteja com roupa de banho por baixo da vestimenta comum e venha preparado para o exame correto e completo.


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